Apresentação

Você tem noção sobre quem é essa galera?

Eu mudo sempreee?

Metamorfose ambulante ou velha opinião formada sobre tudo?

Reflexões sobre manifestações contra Reforma da Previdência.

Reforma da Previdência de 2003 (govern Lula) e 2017 (governo Temer).

domingo, 22 de outubro de 2017

O ano era 2011 e ela tinha uma vida inteira pela frente. Voou por bons ares, fez novos amigos, viveu novas loucuras, amou novos amores. Todo final de semana precisava se reunir com as amigas para colocá-las a par de todas as novidades, que vinham como avalanches. Uma fugazzeta e uma Coca Cola para curar a ressaca e dar motivo para se reunirem em um ambiente neutro onde poderiam compartilhar informações sobre as bebedeiras e as loucuras.
Andar a pé e a esmo pela cidade, de manhã, tarde, noite, madrugada, guiada apenas pelo vento frio e carregado com o cheiro de maconha e urina de cachorro. Melhor cheiro do mundo. E assim descobrir um bar que vendia chopp a dez pesos e ainda dava amendoim de graça; a sensação de fazer sexo em lugares públicos; fazer anjos na neve; estar no topo de mundo (na verdade, da América) e sentir que era a dona da porra toda.
O ano é 2017. Uma das companheiras de fugazzeta vem visitá-la. Vão a um restaurante argentino para deixar as lembranças mais vívidas. Sentam-se e, nem tão de repente assim, percebe que não tem o que falar. A última vez que se viram foi na formatura dessa amiga, há três anos. Parando para pensar, foi a última aventura que viveu: pegar um avião para ir a Porto Alegre, perder um ônibus e ficar perdida em uma cidade desconhecida, ficar tri bêbada em uma festa e sair de lá com um cara desconhecido, perder o celular, perder o avião, tudo em um espaço de 48 horas.
E é isso. A amiga pergunta como vai a vida. Ah, sabe como é, tenho trabalhado de segunda a sábado. Não saio muito. E os relacionamentos? Não tenho nenhum há alguns anos. Nem um contatinho? Não. Silêncio. Pelo o que acompanho no Facebook, você é muito antenada em séries. Ao que está assistindo ultimamente? Finalmente algo sobre o que pode falar com propriedade. Puts, quebrar a perna tinha doído menos. Falando nisso, usou o acidente para justificar o hiato em que sua vida se encontra, ainda que, na realidade, essa pasmaceira tenha começado logo após sua formatura.
Moro na casa dos meus pais, é mais prático. Vou prestar mestrado. É o mestrado profissional e o processo seletivo não é muito exigente, além de ser mais voltado para o que eu quero (?). Sou efetiva em dois cargos públicos e, apesar de tudo, gosto do que faço. E assim justifica o que considera fracassos em sua vida, que antes se mostrara tão promissora.
Seus amigos estão casados, defendendo mestrados, ingressando no doutorado, fazendo pós graduação no exterior. Logo alguns vão começar a ter filhos, a se sentirem confortáveis com suas vidas e conquistas. Mas onde ela estará?
Respira, inspira e não pira. Poderia ser pior. Afinal de contas, é tão ruim assim ter dois empregos estáveis? Uma família que a ama? Amigos felizes e realizados?
E, mais uma vez, tenta se convencer de que está tudo bem. Afinal, não estamos todos um pouco perdidos?
Vai exercitar sua grande qualidade de apreciadora de séries, preparando-se para mais uma semana de seis dias de trabalho, sabendo que quando a cabeça ficar vazia e estiver sozinha no seu quarto, sem companhia e dinheiro para ir nem mesmo ao cinema, vai pensar mais uma vez "que porra eu estou fazendo da minha vida?".
E assim vai seguindo o baile, ainda que pareça não estar acompanhando muito bem o ritmo da música.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

A desconstrução nossa de cada dia

Há algumas semanas atrás eu fiz um post no Facebook que continha preconceito linguístico. Como todos deveriam saber, o preconceito linguístico está diretamente ligado ao preconceito social (e para quem não sabe, recomendo a leitura de Preconceito Linguístico, do professor Marcos Bagno). Sim, eu conheço bem o conceito e pode parecer absurdo que eu, que fiz estágio em Sócio Linguística e Análise de Discurso, reproduza esse tipo de preconceito. Mas se tem algo que eu aprendi nessa tal de militância de internet é que ninguém é totalmente desconstruído.

Quando eu sou questionada com relação a alguma coisa, minha primeira reação é tentar me defender, mas depois eu penso, eu leio, pesquiso e faço o que mais for preciso para ser uma pessoa melhor.
Outra coisa que eu aprendi com a internet é que gosto é construção social. Ou seja, quando eu postei algo dizendo que procurava um parceiro que não falasse ou escrevesse errado, era a sociedade que me rodeia que estava sendo refletida nas minhas escolhas amorosas. Isso faz de mim menos preconceituosa? Obviamente, NÃO. Mas o fato de eu ter consciência disso é meio caminho andado para desconstruir este meu preconceito. Agora depende de mim mudar.
Agora que já falamos de mim, vamos conversar sobre você. Que preconceitos você carrega dentro si? Você já parou para pensar se suas escolhas não estão permeadas de preconceitos? E suas relações? Já parou para pensar se você se apaixonaria por seu/sua parceira se ele/ela fosse negro/negra? Você teria se dado a chance de conhecer afetivamente seu/sua parceiro/parceira se a pessoa fizesse a limpeza ao invés de ser sua companheira de trabalho?
Me disseram que eu estava perdendo a chance de conhecer pessoas muito legais por causa do meu preconceito. E isso é um fato indiscutível. Mas sabe o que é um fato discutível: dos meus amigos com formação universitária, nenhum tem um relacionamento amoroso com alguém que fuja do padrão (físico e social). Você já parou para pensar nisso? Você acredita que isso tenha a ver com o destino, apenas? Será que você se apaixonou pela pessoa porque estava no lugar certo, na hora certa? Ué, por que você reparou nessa pessoa, mas não na que estava tirando o lixo? Você já se perguntou isso?
Com que olhar nós enxergamos  as pessoas ao nosso redor? Como escolhemos amigos? Como escolhemos parceiros amorosos? Será que você não tem um preconceito de estimação que se esconde por trás de "é questão de gosto", "foi o destino", "a gente não escolhe por quem se apaixona"?
Responda a estas perguntas com sinceridade para você mesmo.
Não sei você, mas eu sofro todos os dias com este tipo de pergunta. Na verdade, acredito que estes questionamentos me afastam mais dos relacionamentos do que o meu preconceito. E entenda isso como quiser.


quinta-feira, 16 de março de 2017

Reflexões sobre manifestações contra Reforma da Previdência

Nunca me esquecerei da primeira vez que estive em Brasília. Eu tinha entre 15 e 16 anos. Cheguei bem cedo no Sindicato onde meu pai era diretor e caminhamos para a manifestação CONTRA a Reforma da Previdência. Eu observei muito as pessoas durante aquela viagem. Dava pra sentir que elas estavam desapontadas com a reforma arquitetada no governo de um ex-sindicalista.



Embora o cansaço da viagem, eu fiquei maravilhado com tudo que vi. Aos meus 15-16 anos estava tendo uma experiência bastante singular. Desde o enorme estacionamento dos ônibus vindos do Brasil todo às palavras de ordem que era proferidas na manifestação. Em um momento, o deputado, até então do PT, Babá apareceu no ato e eu fui o responsável por tirar a foto do meu pai com ele e que ficou durante um bom tempo exposta na parede do Sindicato de São Vicente-SP.

Os capítulos políticos vocês já sabem, a Reforma da Previdência proposta por Lula foi aprovada e os deputados do PT que foram contrários a reforma foram expulsos do partido e posteriormente fundaram o PSOL. Toda aquela experiência me fez prestar mais atenção naquilo que acontecia no Sindicato. Ficou na minha mente o questionamento se eles continuariam defendendo o governo que estava retirando direitos dos trabalhadores. A resposta foi positiva. Esse fato somado às questões políticas, que passei a acompanhar em minha cidade, me fizeram distanciar da política partidária.

Essa experiência que tive com meu pai, me faz lamentar o não envolvimento com o movimento estudantil, nas universidades públicas onde passei, mas nesse ambiente sindical aprendi muito. Aprendi a importância da organização. A importância de saber e questionar com quem você está organizado. De ter bem claro o seu posicionamento político sobre as coisas antes de tomar a decisão de se juntar com um ou com outro grupo.

Anos depois, e agora falando de 2016, durante o movimento político pré-golpe decidi me articular de forma mais organizada, embora um tanto quanto independente, e por isso me filiei ao PSOL. (Pra falar a verdade, nem lembrava muito do fato de ter tido presente em um momento importante na história da criação do partido.) Analisando o posicionamento do partido, julguei importante nesse ambiente de golpes diários de um governo golpista lutar dessa maneira. E eis que me vejo em 2017 (preste a completar 30 anos) novamente em uma manifestação contra a Reforma da Previdência: agora trabalhador, agora consciente, agora partidarizado e tantos outros agoras diferentes de 2003.

Que análise você faz sobre a manifestação contra a reforma da previdência de 15 de março de 2017? Essa resposta é muito difícil. Penso eu, que na teoria precisamos superar um paradigma político, mas na prática ela está distante de acontecer. Como que uma manifestação vira palanque para um suposto pré-candidato que quando presidente usou de artimanha semelhante? Ao mesmo tempo, o jogo bipolarizado de hoje nos diz que temos apenas duas iniciativas: ou a gente escolhe uma pseudo-esquerda (ou esquerda lulista) ou uma direita raivosa que está ganhando espaço.

As lembranças me fazem reforçar a ideia de que olhar o passado é relevante para o entendimento do presente e para uma projeção das expectativas do futuro. Não dá pra cometermos o mesmo erro. É preciso quebrar essa bipolarização da política brasileira e caminharmos para um novo paradigma político com propostas coerentes desde a fundação.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Vinte e muitos anos

Com 18 anos o mundo era assustador, mas era um assustador legal, sabe? Era como estar esperando, ansiosa e apavorada, na fila de uma montanha russa gigantesca.
                Dos 19 aos 22 anos eu estava passeando na montanha russa, vivendo altos e baixos, sempre com um friozinho na barriga e o coração acelerado. Mas o tempo sempre acaba, né? Eu até dei um jeito de ficar um pouquinho mais, porém isso não ia durar para sempre mesmo... e não durou.
Uma hora o parque fecha e a gente percebe que não pode mais usar o replay. É aí que descobrimos que as Noites de Horror não são nada perto de todos os dias que precisamos enfrentar aqui fora.
Nossa, que drama!
O fato é que, em alguns momentos da vida, a gente tem a impressão de que a parte divertida acaba e que as borboletas no estômago morreram afogadas pela cerveja ou pelas lágrimas.
(Ok. Essa sim foi uma frase de efeito dramático, não é?)
Tenho a impressão de que nossa geração nunca vai estar totalmente feliz (ou será que sou só eu?).
“E daí que você gosta do seu trabalho? Você ganha mal!”
“Você casou e desistiu do seu lado profissional? Tsc tsc”
“Você abriu mão de um amor pelo seu avanço profissional? Nossa...”
“Você está casada com um cara legal, tem um emprego bacana, mas não vai parar aí, vai?”
Não, essa não é a tia do “e os namoradinhos?” te enchendo o saco na ceia de Natal. Isso é você mesmo, enchendo sua cabeça de neuras (ou será que sou só eu de novo?).
Talvez o problema seja que nós nos achávamos especiais demais. Não, ‘pera, deixa eu falar só por mim aqui, né?
Eu era a menina prodígio, a filha exemplar, a aluna perfeita, enfim, eu era o orgulho. E hoje, eu sou o que?
Com 18 anos eu sabia quem eu era e o que eu queria; estava ansiosa e cheia de sonhos. Com 27, preciso olhar no meu RG para ter certeza do meu nome e não tenho a mínima ideia do que estou fazendo ou do que eu farei da minha vida...

Obs: o texto acaba assim, em reticências mesmo, porque eu não sei como isso tudo vai terminar de verdade.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Eu mudo sempreeee?

Sou Caio e não é a primeira vez que ~caio~ em um blog coletivo. No meu primeiro post, além de me apresentar, quero bater um papo reto e por isso vou logo de cara com as coisas que gosto de falar:

1 - sobre MIM
2 - compartilhar MINHAS interpretações do mundo
3 – mostrar coisas que ME tocam

Já entenderam, né? É EUZINHA no rolê.

Em 2010, me juntei com outros amigos e montamos um blog. Não sei o motivo que fizeram os meus amigos do Ensino Médio a participarem disso, mas o meu estava claro: estava saindo do armário e me fazia muito bem falar falar falar. Como não tinha ninguém frente a frente eu podia falar sobre qualquer coisa, sendo os assuntos LGBT o principal.

Tempos atrás, eu comecei ler esse antigo blog e me assustei com um texto extremamente machista. "Como isso veio parar aqui? Quem escreveu isso?"




Cai duro. Eu tinha escrito aquelas coisas!! Minha primeira reação foi querer deletar o post. Mas aí eu parei e falei: “Caralho! Como eu mudei!” 

Vamos parar pra pensar! Eu não nasci com as ideias que tenho hoje. As ideias que eu tenho hoje, podem não ser as que terei amanhã. Apagar um post sobre algo que refletia a ideia que eu tinha, não muda o fato de que naquela época eu pensava daquela forma.

Pensava. Não penso mais! E é neste ponto que prefiro me concentrar. Inclusive para me colocar nos meus devidos locais de fala e de escuta.

É um choque ver em você o exemplo de que é possível ser homossexual e machista? Claro que é! Mas também me faz refletir sobre como é possível se tornar uma pessoa melhor. Observar isso me deixo mais atento para o fato de que eu posso ter preconceitos que não enxergando, mas que amanhã posso percebê-lo e posso tentar fazer algo que transforme isso. 

Estar aberto ao diálogo com outras pessoas é fundamental. Foram as pessoas melhores em determinado aspecto ao meu redor (presencial e virtualmente) que potencializaram a minha mudança. É legal ver em mim mesmo que aquele discurso de que “militância de internet não faz diferença na vida de ninguém” é furada! É isso que quero carregar comigo daquele lamentável post.

Moral da história: estou mais para uma “metamorfose ambulante” do para “aquela velha opinião formada sobre tudo.” No fundo todos podemos ser, depende da sua decisão sobre em qual lado desses extremos ficar.
 


E isso não tem nada a ver com ser falsiane. Não faz a louca que o papo é sério!!

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Tô torcendo...

Pessoal, eu sou o Bloco 2C, uma singela casinha para estudante que fica na Unesp de São José do Rio Preto. Teve uma galera que morou aqui há uns 10 anos e que vive falando em meu nome. É Bloco 2C pra cá, Bloco 2C pra lá. Até parece que inauguraram o local e que hoje não mora mais ninguém aqui!! E quando eles falam que são a Diretoria? Mas vai por mim: é melhor ouvir Diretoria do que Senado!!

Esses Friends Tupiniquim resolveram criar um blog pra eles mesmos. E advinha o nome? Bloco 2C. (Tô farto, já!!) Tudo começou com uma maluca que acha que é a reencarnação do Seu Madruga dizendo que sabe viajar sem dinheiro, então o Cyborg Caolho, que está desempregado, falou: "Vamos fazer um blog coletivo para postar o que quiser quando quiser." Maldito whatsapp que permite que esse povo converse todo santo dia. Espero que o Cyborg não saiba configurar o blog para celular, porque tem uma no grupo que vive com o celular na mão. Dá like pra tudo no facebook.

Quais são as chances de deixarem o meu nome paz no blogspot? Grandes. Primeiro porque o filme do Cyborg tá queimado. Vive tendo ideia, mas não executa nada. Outro ponto favorável são os casados. Esses tem mais o que fazer da vida, né? E os demais, se pudessem, nem no whatsapp estavam!!

Só sei que estou torcendo para esse projeto. Torcendo pra que dê errado...