Há algumas semanas atrás eu fiz um post no Facebook que continha preconceito linguístico. Como todos deveriam saber, o preconceito linguístico está diretamente ligado ao preconceito social (e para quem não sabe, recomendo a leitura de Preconceito Linguístico, do professor Marcos Bagno). Sim, eu conheço bem o conceito e pode parecer absurdo que eu, que fiz estágio em Sócio Linguística e Análise de Discurso, reproduza esse tipo de preconceito. Mas se tem algo que eu aprendi nessa tal de militância de internet é que ninguém é totalmente desconstruído.
Quando eu sou questionada com relação a alguma coisa, minha primeira reação é tentar me defender, mas depois eu penso, eu leio, pesquiso e faço o que mais for preciso para ser uma pessoa melhor.
Outra coisa que eu aprendi com a internet é que gosto é construção social. Ou seja, quando eu postei algo dizendo que procurava um parceiro que não falasse ou escrevesse errado, era a sociedade que me rodeia que estava sendo refletida nas minhas escolhas amorosas. Isso faz de mim menos preconceituosa? Obviamente, NÃO. Mas o fato de eu ter consciência disso é meio caminho andado para desconstruir este meu preconceito. Agora depende de mim mudar.
Agora que já falamos de mim, vamos conversar sobre você. Que preconceitos você carrega dentro si? Você já parou para pensar se suas escolhas não estão permeadas de preconceitos? E suas relações? Já parou para pensar se você se apaixonaria por seu/sua parceira se ele/ela fosse negro/negra? Você teria se dado a chance de conhecer afetivamente seu/sua parceiro/parceira se a pessoa fizesse a limpeza ao invés de ser sua companheira de trabalho?
Me disseram que eu estava perdendo a chance de conhecer pessoas muito legais por causa do meu preconceito. E isso é um fato indiscutível. Mas sabe o que é um fato discutível: dos meus amigos com formação universitária, nenhum tem um relacionamento amoroso com alguém que fuja do padrão (físico e social). Você já parou para pensar nisso? Você acredita que isso tenha a ver com o destino, apenas? Será que você se apaixonou pela pessoa porque estava no lugar certo, na hora certa? Ué, por que você reparou nessa pessoa, mas não na que estava tirando o lixo? Você já se perguntou isso?
Com que olhar nós enxergamos as pessoas ao nosso redor? Como escolhemos amigos? Como escolhemos parceiros amorosos? Será que você não tem um preconceito de estimação que se esconde por trás de "é questão de gosto", "foi o destino", "a gente não escolhe por quem se apaixona"?
Responda a estas perguntas com sinceridade para você mesmo.
Não sei você, mas eu sofro todos os dias com este tipo de pergunta. Na verdade, acredito que estes questionamentos me afastam mais dos relacionamentos do que o meu preconceito. E entenda isso como quiser.







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