Ele a tocou... estava úmida, quente,
tremia. "Você está bem?", perguntou. "Posso parar se você
quiser", disse em tom de promessa. Ela não respondeu, apenas segurou suas
mãos bem forte, de modo a fazer com que ele não a soltasse, nunca. Aquele calor
era exatamente como ela imaginara, como ela desejara. Mas aquele cheiro, aquela
sensação, aquele rosto sobre o dela, aquelas cores meio indefinidas no
quarto... isso tudo era muito melhor do que tudo o que ela pensou sobre como
seria aquele momento. Ele segurou o seu rosto entre suas mãos grandes, suadas
e, absurdamente, seguras. Ela o olhou nos olhos, bem fundo, mergulhando de um
jeito como nunca havia tido coragem de fazer antes, e aceitou o beijo dos
olhos, antes que as bocas se tocassem. Lábios quentes e calmos que demonstravam
ter absoluta confiança em cada movimento, que sabiam exatamente a intensidade
do toque em cada parte do seu corpo. Pensou em implorar pelo fim daquela doce
tortura, mas descobriu-se masoquista. Ele parecia sentir um estranho tipo de
prazer ao vê-la em agonia... seu rosto, ainda belo, contorcia-se e transfigurava-se, mas ela não
teve medo, pois sabia, naquele momento, que podia confiar nele, inclusive,
depositou-se, literal e metaforicamente, em seus braços. Deixou que seus dedos
desenhassem suas curvas e seu destino. Naquele momento era sua de todas as
maneiras possíveis e imagináveis. Naquele momento tudo e todos se tornaram uma
coisa só. As respirações rápidas, descompassadas, os gemidos sufocados, as
pernas entrelaçadas: dois corpos, apenas um clímax!
E quando tudo termina são dois
novamente, mas não são os mesmos. Tudo mudou. Ele a abraça por trás e beija o
seu ombro. Ela sorri de satisfação, espera ele adormecer, o que não demora
cinco minutos, levanta, veste-se e o olha pela última vez em toda a sua vida.
Naquele momento era sua e apenas sua...






