Apresentação

Você tem noção sobre quem é essa galera?

Eu mudo sempreee?

Metamorfose ambulante ou velha opinião formada sobre tudo?

Reflexões sobre manifestações contra Reforma da Previdência.

Reforma da Previdência de 2003 (govern Lula) e 2017 (governo Temer).

sábado, 9 de junho de 2018

A sua


Ele a tocou... estava úmida, quente, tremia. "Você está bem?", perguntou. "Posso parar se você quiser", disse em tom de promessa. Ela não respondeu, apenas segurou suas mãos bem forte, de modo a fazer com que ele não a soltasse, nunca. Aquele calor era exatamente como ela imaginara, como ela desejara. Mas aquele cheiro, aquela sensação, aquele rosto sobre o dela, aquelas cores meio indefinidas no quarto... isso tudo era muito melhor do que tudo o que ela pensou sobre como seria aquele momento. Ele segurou o seu rosto entre suas mãos grandes, suadas e, absurdamente, seguras. Ela o olhou nos olhos, bem fundo, mergulhando de um jeito como nunca havia tido coragem de fazer antes, e aceitou o beijo dos olhos, antes que as bocas se tocassem. Lábios quentes e calmos que demonstravam ter absoluta confiança em cada movimento, que sabiam exatamente a intensidade do toque em cada parte do seu corpo. Pensou em implorar pelo fim daquela doce tortura, mas descobriu-se masoquista. Ele parecia sentir um estranho tipo de prazer ao vê-la em agonia... seu rosto, ainda belo, contorcia-se e transfigurava-se, mas ela não teve medo, pois sabia, naquele momento, que podia confiar nele, inclusive, depositou-se, literal e metaforicamente, em seus braços. Deixou que seus dedos desenhassem suas curvas e seu destino. Naquele momento era sua de todas as maneiras possíveis e imagináveis. Naquele momento tudo e todos se tornaram uma coisa só. As respirações rápidas, descompassadas, os gemidos sufocados, as pernas entrelaçadas: dois corpos, apenas um clímax!
E quando tudo termina são dois novamente, mas não são os mesmos. Tudo mudou. Ele a abraça por trás e beija o seu ombro. Ela sorri de satisfação, espera ele adormecer, o que não demora cinco minutos, levanta, veste-se e o olha pela última vez em toda a sua vida. Naquele momento era sua e apenas sua...

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

“É que a cada dia eu acredito um pouco menos... e um pouco menos, e um pouco menos... E isso... É uma droga”, disse o protagonista de sua série preferida para sua ex namorada, por quem ele ainda era apaixonado, que estava noiva de seu melhor amigo.
Continuando a cena, a ex namorada diz que ele voltaria a acreditar. E, é claro, que no final da série ele voltou a acreditar, encontrou o amor de sua vida e realizou seus sonhos. Mas era apenas uma série, não é?
                                                
Uma vez lera que comédias românticas eram prejudiciais, pois faziam as pessoas terem esperança de que tudo daria certo no final. O protagonista sempre correria para o aeroporto e impediria que a mocinha embarcasse no avião dizendo “eu te amo”; a protagonista sempre acabaria percebendo que o cara bonitão é um idiota e ficaria com seu melhor amigo mais nerd, que ficou esperando por ela durante anos... mas os filmes nunca mostram o que acontece depois.


Ah, foda-se o que acontece depois. Ela queria ter o durante. Não a cena do aeroporto, (credo, quem quer alguém que atrapalhe sua viagem, sua carreira, seus planos?) mas o que a ficção não mostra: o sorriso ao acordar e ver um “bom dia” no WhatsApp; o frio na barriga ao imaginar o encontro do final de semana; a dorzinha no coração de cada despedida; o tesão da manhã e tudo mais que acompanha uma relação normal e saudável, incluindo os problemas.
Ela não era uma princesa da Disney. Nunca acreditou em “felizes para sempre”, ainda assim esperava encontrar alguém que estivesse na mesma sintonia. Mas a vida não é uma comédia romântica e a cada dia ela acreditava um pouco menos... e um pouco menos, e um pouco menos... E isso era uma droga.