quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Vinte e muitos anos

Com 18 anos o mundo era assustador, mas era um assustador legal, sabe? Era como estar esperando, ansiosa e apavorada, na fila de uma montanha russa gigantesca.
                Dos 19 aos 22 anos eu estava passeando na montanha russa, vivendo altos e baixos, sempre com um friozinho na barriga e o coração acelerado. Mas o tempo sempre acaba, né? Eu até dei um jeito de ficar um pouquinho mais, porém isso não ia durar para sempre mesmo... e não durou.
Uma hora o parque fecha e a gente percebe que não pode mais usar o replay. É aí que descobrimos que as Noites de Horror não são nada perto de todos os dias que precisamos enfrentar aqui fora.
Nossa, que drama!
O fato é que, em alguns momentos da vida, a gente tem a impressão de que a parte divertida acaba e que as borboletas no estômago morreram afogadas pela cerveja ou pelas lágrimas.
(Ok. Essa sim foi uma frase de efeito dramático, não é?)
Tenho a impressão de que nossa geração nunca vai estar totalmente feliz (ou será que sou só eu?).
“E daí que você gosta do seu trabalho? Você ganha mal!”
“Você casou e desistiu do seu lado profissional? Tsc tsc”
“Você abriu mão de um amor pelo seu avanço profissional? Nossa...”
“Você está casada com um cara legal, tem um emprego bacana, mas não vai parar aí, vai?”
Não, essa não é a tia do “e os namoradinhos?” te enchendo o saco na ceia de Natal. Isso é você mesmo, enchendo sua cabeça de neuras (ou será que sou só eu de novo?).
Talvez o problema seja que nós nos achávamos especiais demais. Não, ‘pera, deixa eu falar só por mim aqui, né?
Eu era a menina prodígio, a filha exemplar, a aluna perfeita, enfim, eu era o orgulho. E hoje, eu sou o que?
Com 18 anos eu sabia quem eu era e o que eu queria; estava ansiosa e cheia de sonhos. Com 27, preciso olhar no meu RG para ter certeza do meu nome e não tenho a mínima ideia do que estou fazendo ou do que eu farei da minha vida...

Obs: o texto acaba assim, em reticências mesmo, porque eu não sei como isso tudo vai terminar de verdade.

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