Com 18 anos o mundo era
assustador, mas era um assustador legal, sabe? Era como estar esperando, ansiosa e apavorada, na fila
de uma montanha russa gigantesca.
Dos 19 aos 22 anos eu estava passeando
na montanha russa, vivendo altos e baixos, sempre com um friozinho na barriga e
o coração acelerado. Mas o tempo sempre acaba, né? Eu até dei um jeito de ficar
um pouquinho mais, porém isso não ia durar para sempre mesmo... e não durou.
Uma hora o parque fecha e a gente
percebe que não pode mais usar o replay. É aí que descobrimos que as Noites de
Horror não são nada perto de todos os dias que precisamos enfrentar aqui fora.
Nossa, que drama!
O fato é que, em alguns momentos
da vida, a gente tem a impressão de que a parte divertida acaba e que as
borboletas no estômago morreram afogadas pela cerveja ou pelas lágrimas.
(Ok. Essa sim foi uma frase de
efeito dramático, não é?)
Tenho a impressão de que nossa
geração nunca vai estar totalmente feliz (ou será que sou só eu?).
“E daí que você gosta do seu
trabalho? Você ganha mal!”
“Você casou e desistiu do seu
lado profissional? Tsc tsc”
“Você abriu mão de um amor pelo
seu avanço profissional? Nossa...”
“Você está casada com um cara
legal, tem um emprego bacana, mas não vai parar aí, vai?”
Não, essa não é a tia do “e os
namoradinhos?” te enchendo o saco na ceia de Natal. Isso é você mesmo, enchendo
sua cabeça de neuras (ou será que sou só eu de novo?).
Talvez o problema seja que nós
nos achávamos especiais demais. Não, ‘pera, deixa eu falar só por mim aqui, né?
Eu era a menina prodígio, a filha
exemplar, a aluna perfeita, enfim, eu era o orgulho. E hoje, eu sou o que?
Com 18 anos eu sabia quem eu era
e o que eu queria; estava ansiosa e cheia de sonhos. Com 27, preciso olhar no
meu RG para ter certeza do meu nome e não tenho a mínima ideia do que estou
fazendo ou do que eu farei da minha vida...
Obs: o texto acaba assim, em
reticências mesmo, porque eu não sei como isso tudo vai terminar de verdade.






Tô sentindo cheirinho da crise dos 30!
ResponderExcluir