quinta-feira, 16 de março de 2017

Reflexões sobre manifestações contra Reforma da Previdência

Nunca me esquecerei da primeira vez que estive em Brasília. Eu tinha entre 15 e 16 anos. Cheguei bem cedo no Sindicato onde meu pai era diretor e caminhamos para a manifestação CONTRA a Reforma da Previdência. Eu observei muito as pessoas durante aquela viagem. Dava pra sentir que elas estavam desapontadas com a reforma arquitetada no governo de um ex-sindicalista.



Embora o cansaço da viagem, eu fiquei maravilhado com tudo que vi. Aos meus 15-16 anos estava tendo uma experiência bastante singular. Desde o enorme estacionamento dos ônibus vindos do Brasil todo às palavras de ordem que era proferidas na manifestação. Em um momento, o deputado, até então do PT, Babá apareceu no ato e eu fui o responsável por tirar a foto do meu pai com ele e que ficou durante um bom tempo exposta na parede do Sindicato de São Vicente-SP.

Os capítulos políticos vocês já sabem, a Reforma da Previdência proposta por Lula foi aprovada e os deputados do PT que foram contrários a reforma foram expulsos do partido e posteriormente fundaram o PSOL. Toda aquela experiência me fez prestar mais atenção naquilo que acontecia no Sindicato. Ficou na minha mente o questionamento se eles continuariam defendendo o governo que estava retirando direitos dos trabalhadores. A resposta foi positiva. Esse fato somado às questões políticas, que passei a acompanhar em minha cidade, me fizeram distanciar da política partidária.

Essa experiência que tive com meu pai, me faz lamentar o não envolvimento com o movimento estudantil, nas universidades públicas onde passei, mas nesse ambiente sindical aprendi muito. Aprendi a importância da organização. A importância de saber e questionar com quem você está organizado. De ter bem claro o seu posicionamento político sobre as coisas antes de tomar a decisão de se juntar com um ou com outro grupo.

Anos depois, e agora falando de 2016, durante o movimento político pré-golpe decidi me articular de forma mais organizada, embora um tanto quanto independente, e por isso me filiei ao PSOL. (Pra falar a verdade, nem lembrava muito do fato de ter tido presente em um momento importante na história da criação do partido.) Analisando o posicionamento do partido, julguei importante nesse ambiente de golpes diários de um governo golpista lutar dessa maneira. E eis que me vejo em 2017 (preste a completar 30 anos) novamente em uma manifestação contra a Reforma da Previdência: agora trabalhador, agora consciente, agora partidarizado e tantos outros agoras diferentes de 2003.

Que análise você faz sobre a manifestação contra a reforma da previdência de 15 de março de 2017? Essa resposta é muito difícil. Penso eu, que na teoria precisamos superar um paradigma político, mas na prática ela está distante de acontecer. Como que uma manifestação vira palanque para um suposto pré-candidato que quando presidente usou de artimanha semelhante? Ao mesmo tempo, o jogo bipolarizado de hoje nos diz que temos apenas duas iniciativas: ou a gente escolhe uma pseudo-esquerda (ou esquerda lulista) ou uma direita raivosa que está ganhando espaço.

As lembranças me fazem reforçar a ideia de que olhar o passado é relevante para o entendimento do presente e para uma projeção das expectativas do futuro. Não dá pra cometermos o mesmo erro. É preciso quebrar essa bipolarização da política brasileira e caminharmos para um novo paradigma político com propostas coerentes desde a fundação.

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