“É que a cada dia eu acredito um pouco menos... e um pouco
menos, e um pouco menos... E isso... É uma droga”, disse o protagonista de sua
série preferida para sua ex namorada, por quem ele ainda era apaixonado, que estava
noiva de seu melhor amigo.
Continuando a cena, a ex namorada diz que ele voltaria a
acreditar. E, é claro, que no final da série ele voltou a acreditar, encontrou
o amor de sua vida e realizou seus sonhos. Mas era apenas uma série, não é?
Uma vez lera que comédias românticas eram prejudiciais, pois
faziam as pessoas terem esperança de que tudo daria certo no final. O
protagonista sempre correria para o aeroporto e impediria que a mocinha
embarcasse no avião dizendo “eu te amo”; a protagonista sempre acabaria
percebendo que o cara bonitão é um idiota e ficaria com seu melhor amigo mais
nerd, que ficou esperando por ela durante anos... mas os filmes nunca mostram o
que acontece depois.
Ah, foda-se o que acontece depois. Ela queria ter o durante.
Não a cena do aeroporto, (credo, quem quer alguém que atrapalhe sua viagem, sua
carreira, seus planos?) mas o que a ficção não mostra: o sorriso ao acordar e
ver um “bom dia” no WhatsApp; o frio na barriga ao imaginar o encontro do final
de semana; a dorzinha no coração de cada despedida; o tesão da manhã e tudo
mais que acompanha uma relação normal e saudável, incluindo os problemas.
Ela não era uma princesa da Disney. Nunca acreditou em “felizes
para sempre”, ainda assim esperava encontrar alguém que estivesse na mesma
sintonia. Mas a vida não é uma comédia romântica e a cada dia ela acreditava um pouco menos... e um pouco
menos, e um pouco menos... E isso era uma droga.








0 comentários:
Postar um comentário